Minutos fazem a diferença para prevenir sequelas de AVC

por Redação

Os sinais do AVC surgem de repente: boca torta, perda de força ou dormência de um lado do corpo, dificuldade para falar, tontura associada à falta de equilíbrio e dor de cabeça intensa.1 Pode ser um único, isolado, ou se manifestarem em conjunto. A partir do surgimento destes sinais, cada minuto conta para fazer a diferença para tratar 1 e salvar o cérebro, segundo a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, em entrevista para o canal Saúde Não Tem Hora. Em caso de sintomas de AVC, é necessário a busca de um local referenciado com urgência.

A pandemia de covid-19 tem refletido na baixa procura de atendimentos para AVC. Somente neste ano, a Rede Brasil AVC estima uma redução de 40% no número de atendimentos na emergência, o que, segundo a entidade, pode ser decorrente do receio da contaminação pela covid-19 no ambiente hospitalar. 2

Quais os sinais do AVC?

Dra. Sheila Martins – Os sinais do AVC sempre iniciam subitamente com perda de força ou dormência (geralmente em um lado do corpo), dificuldade para falar ou compreender a fala, dificuldade para enxergar em um olho ou nos dois olhos ou em metade de cada um; tontura que se manifesta com uma sensação rotatória, associada à falta de equilíbrio ou de coordenação e dor de cabeça súbita. A dor de cabeça, segundo relatos de pacientes, é insuportável e descrita como a pior que sentiu na vida. Qualquer desses sinais isolados ou em conjunto, quando se iniciam subitamente, são sinais de AVC.

Por que os sintomas do AVC precisam de atendimento de urgência?

Dra. Sheila Martins –   O AVC tem tratamento. E cada minuto que passa de um AVC não tratado, são 2 milhões de neurônios que morrem no cérebro. Nós temos dois tipos de AVC: o isquêmico e o hemorrágico. O isquêmico é o mais comum, corresponde a 85% a 90% dos casos. Já o hemorrágico, quando ocorre a ruptura de um vaso sanguíneo e que espalha sangue pelo cérebro, tem incidência de 10% a 15%. Nesse caso, o tratamento é rapidamente baixar pressão para não piorar esse quadro.

O rápido atendimento evita o agravamento dos casos de AVC?

Dra. Sheila Martins –   Com certeza. O AVC isquêmico ocorre por entupimento do vaso sanguíneo cerebral tem tratamento específico.  Quanto mais rápido for feita a desobstrução da circulação do sangue, mais “cérebro salvo”  vai ficar e menos, ou até nenhuma, sequelas. Ou seja, quanto mais imediato for o tratamento, mais recupera função do paciente. Pode ser ate mesmo uma medicação na veia ou um cateterismo cerebral  – casos mais graves. Rapidez evita sequelas.

O AVC é a segunda causa de morte no Brasil. E cerca de 30% dos pacientes que sobrevivem ficam com sequelas. Quais são as sequelas mais comuns em AVC?

Dra. Sheila Martins –  Sem tratamento, 70% não voltam ao trabalho, 50% ficam dependentes de outras pessoas para atividades diárias. As sequelas mais comuns são perda de força de um lado do corpo, dificuldade para falar, para enxergar, para caminhar e até perda de memória. Depende da região do cérebro que foi atingida pelo AVC.

A Rede Brasil AVC estima uma redução de até 40% no número de atendimentos na emergência durante a pandemia?

Dra. Sheila Martins –   Sim. Levantamentos feitos nos hospitais mostraram essa redução do número de casos de AVC chegando às emergências de 40%. Isso não significa que diminuíram os números de AVC, mas que esses pacientes estão ficando em casa, com medo de pegar coronavírus. Isso é um grave problema, porque pode gerar sequelas para a vida inteira. A redução de atendimentos por medo do coronavírus pode ter consequência muito grave.

Referências

  1. Sign and Symptoms of Stroke. Disponível em: https://www.stroke.org/understand-stroke/recognizing-stroke/signs-and-symptoms-stroke (acessado em 02/05/2017).
  2. Diegoli H, Magalhães PSC, Martins SCO, et al. Decrease in Hospital Admissions for Transient Ischemic Attack, Mild, and Moderate Stroke During the COVID-19 Era [published online ahead of print, 2020 Jun 12]. Stroke. 2020;STROKEAHA120030481