Diabetes: consultas médicas e exames regulares evitam complicações

por Redação

Os cuidados diários de doenças crônicas, como o diabetes, devem ser mantidos mesmo em tempos de pandemia. Sem controle, a condição vira fator de risco para casos mais graves  caso haja contaminação por coronavírus, o que eleva a chance de óbito.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre os casos fatais de covid-19 no Brasil, 30% apresentavam diabetes. 1 Em tempos de quarentena, ficar em casa para se prevenir da covid-19 é fundamental. Mas, tão importante quanto essa prevenção é manter a taxa de glicemia sob controle. Exames e consultas periódicos fazem parte do gerenciamento da doença.

Em entrevista ao canal Saúde Não Tem Hora, a endocrinologista Denise Franco, da Sociedade Brasileira de Diabetes e da ADJ , explica que o paciente precisa  ter consciência do autocuidado e participar do tratamento de maneira ativa.

“Pacientes que participam do tratamento atingem os melhores resultados.  Para isso é necessário que o paciente vá às consultas médicas e realize os exames, e dessa forma prevenir e evitar as complicações”, afirma a médica, que dá mais dicas a seguir.

Qual a importância da adesão ao tratamento de diabetes – tipo 1 e tipo 2?

Dra. Denise Franco – A adesão é fundamental para garantir o tratamento em qualquer tipo de diabetes, 1 (não há produção de insulina) e 2 (resistência das células do organismo em aproveitar a insulina). Nenhuma medicação é boa se o paciente não toma. Mudanças de hábitos devem ser estimulados e adesão é necessária para o sucesso da terapia.

Alguns pacientes com diabetes podem ter dificuldades de acesso às medicações neste período de quarentena. O que pode acontecer com pacientes, que estavam com a condição controlada, que ficam sem usar os medicamentos?

Dra. Denise Franco – Nesse momento, o mais importante é não deixar de controlar a glicemia e mantê- la em níveis mais próximos de quem não tem diabetes. Uma vez elevada a glicemia, pode aumentar o risco de complicação em decorrência do diabetes e também em relação à covid-19. Pacientes devem procurar seus médicos para exames, mesmo que sejam de rotina. Diabetes é uma doença crônica. Se as prescrições estiverem vencidas e exames não estiverem em dia, a orientação é procurar seus médicos ou serviços de referência.

Quais sinais de descontrole do diabetes que o paciente percebe? E destes, quais exigem um atendimento de emergência?

Dra. Denise Franco – Os pacientes devem estar atentos a monitorização das glicemias. Se necessário, nesse momento intensificar as medições das glicemias. Sintomas como cansaço, embaçamento visual, dores pelo corpo e aumento das vezes que acorda a noite para urinar podem ser indicativos de descontrole glicêmico. Glicemias maiores de que 250 mg/dL mantidas elevadas e que não melhoram com as condutas de ajuste de dose da medicação podem servir de alerta para entrar em contato com o médico ou procurar um serviço médico de urgência. 2

O paciente com diabetes sem tratamento ou acompanhamento adequado tem maior risco de desenvolver doença cardiovascular? Quantas vezes mais ele aumenta este risco?

Dra. Denise Franco – Depende da faixa etária e do controle glicêmico prévio do paciente. Em geral, o paciente sem controle glicêmico aumenta o risco de doenças cardiovasculares em 2,5 vezes a mais que a população em geral.

Qual a periodicidade recomendada para os exames e consultas médicas das pessoas com diabetes?

Dra. Denise Franco – Quem tem diabetes deve fazer consulta médica, pelo menos, a cada 6 meses. Se a hemoglobina glicada estiver acima de 8 a orientação é  intensificar para um intervalo a cada 3 meses, mas a periodicidade pode ser individualizada em cada caso, de acordo com a evolução.3-4

O teleatendimento é uma ferramenta importante para atender esses pacientes nesse momento de pandemia?

Dra. Denise Franco – A teleconsulta é uma excelente ferramenta para reduzir as distâncias entre os pacientes e o serviço médico. E, principalmente, para dar informação e orientar em caso atendimento presencial ou de urgência. Quem trata de paciente com diabetes dispõe de uma série de recursos e de softwares que nos auxiliam no controle da glicemia e facilitam o atendimento durante a teleconsulta.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/May/09/2020-05-06-BEE15-Boletim-do-COE.pdf. (acessado em 02/07/2020). http://saude.gov.br/images/pdf/2020/July/01/Boletim-epidemiologico-COVID-20-3.pdf
  2. International Diabetes Foundation. Sick day management. https://www.idf.org/component/attachments/?task=download&id=2155:IDFE-Sick-day-management (acesso em Abr 2020);
  3. Conduta Terapêutica no Diabetes Tipo 2: Algoritmo SBD 2019. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/publico/images/pdf/sbd_dm2_2019_2.pdf. Acessado em 16/7/2020
  4. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. Tratamento do diabetes mellitus: medidas de estilo de vida, p 163-173. Disponível em https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020.pdf. Acessado em 16/07/2020.