Home Avanços “Bem-vinda, mas temos que esperar o aval da OMS”, afirma especialista sobre vacina russa

“Bem-vinda, mas temos que esperar o aval da OMS”, afirma especialista sobre vacina russa

por Redação

Para infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), faltam estudos que comprovem a eficácia do imunizante

A confirmação da primeira vacina registrada contra o coronavírus no mundo, denominada Sputnik V, fabricada pelo Instituto Gamaleya e anunciada nesta terça-feira (11/8) pelas autoridades russas, gera dúvidas entre os especialistas.  Entretanto, mesmo sem o aval técnico da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Governo do Paraná já manifestou o interesse em firmar um convênio com a Rússia para produzir a vacina e distribuir à população brasileira no começo de 2021.

O Por Dentro do Coronavírus consultou um médico infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) para entender o potencial do imunizante russo contra o novo coronavírus.

“ Uma vacina é sempre bem-vinda. Entretanto,  não foi publicado nenhum estudo para análise da comunidade científica, sobretudo, no que tange à segurança e eficácia. Por isso,  temos que esperar as publicações e o aval da OMS.  Espero que a vacina não vire uma disputa política”, afirma Julival Ribeiro, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Mesmo com testes promissores de vacinas que estão sendo desenvolvidas de maneira acelerada em alguns centros, incluindo o Brasil, é preciso ter cautela com o resultado final.

“O importante é a segurança e eficácia da vacina e em quais grupos e por quanto tempo teremos a imunidade pós-vacina. Portanto, devemos esperar o tempo que for preciso para termos uma vacina que corresponda aos anseios da comunidade científica no que se refere à segurança e eficácia. Até porque quando essa vacina for lançada no mercado teremos que fazer rastreabilidade em relação aos possíveis eventos adversos, quando aplicada em milhares de pessoas”, alerta Ribeiro.

Mesmo que se chegue a um imunizante que atenda todas as exigências de segurança e eficácia da comunidade científica, os cuidados pré-vacina seguirão no período pós-vacina. “Vamos continuar com as medidas de prevenção até sabermos a extensão do período imune pós-vacina, quais são os grupos que poderão usar as vacinas, o potencial do vírus se tornar endêmico ou até mesmo entendermos se um episódio de mutação pode comprometer a vacina. Portanto, é uma doença nova e devemos manter as medidas preventivas até que tenhamos estudos para nos dizer qual o caminho a seguir”, conclui o especialista da SBI.

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