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Especialistas reprovam o retorno do futebol

por Redação

Mesmo com documentos em elaboração, infectologistas alertam sobre os riscos da realização de atividades esportivas coletivas no Brasil e no mundo

A retomada dos treinos por parte dos times brasileiros, ainda tímida em alguns estados, a partir de algumas atividades individuais, – e dos jogos de futebol -, suspensos desde o início da pandemia, segue na pauta das autoridades sanitárias que, junto com representantes das entidades esportivas, buscam chegar a um consenso, o que no momento ainda parece ser algo bem distante.

No começo do problema – com os primeiros registros da COVID-19 no País – foram propostos apenas jogos com portões fechados. Porém, depois do alto risco de contágio, todas as partidas foram suspensas, assim como os treinamentos, que, aos poucos, começam a entrar na pauta de alguns clubes brasileiros, a partir de uma metodologia diferenciada e focada em atividades individuais com pequenos grupos de jogadores.

Entretanto, ainda não há data para a bola rolar nos gramados do Brasil, e do mundo, de acordo com os especialistas consultados pelo Por Dentro do Coronavírus.

“Diante do estágio mundial da pandemia, qualquer volta de atividades desportivas, sobretudo modalidades coletivas, não são recomendadas nesse momento”, diz o infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).  

Sem o dinheiro da arrecadação com a bilheteria dos jogos e dos direitos de transmissão das tevês, os clubes brasileiros tiveram que adotar algumas medidas emergenciais para equilibrar as finanças durante a pausa forçada por causa do coronavírus. Enquanto alguns optaram por conceder férias coletivas e redução salarial aos jogadores e integrantes da comissão técnica, outros anunciaram a demissão de funcionários em plena época de pandemia.

Com os casos da COVID-19 ainda em alta em vários países, a volta do futebol agora seria precoce e poderia até agravar a situação, dependendo da curva de casos do vírus nas regiões onde as partidas fossem realizadas. De acordo com os especialistas há necessidade de medidas específicas, principalmente das autoridades sanitárias para evitar um surto, por exemplo.

“Acho temerário em especial nos locais do país de grande circulação viral”, diz o infectologista Alexandre Vargas Schwarzbold, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Na Europa, também não há um consenso. Os dirigentes esportivos em conjunto com os clubes de futebol, as federações locais e as autoridades sanitárias, preparam documentos técnicos com protocolos, manuais e guias no sentido de aumentar a proteção de todos os envolvidos. O que seria uma solução para alguns, os jogos sem torcida não são uma boa alternativa na visão dos médicos. O risco de retomar treinos e partidas, mesmo sem público, existe por conta da aglomeração e do contato físico entre os atletas, além da possibilidade real de contágio pela relação dos jogadores e de integrantes da equipe técnica fora do ambiente do futebol – com familiares, parentes, amigos etc. Além disso, um eventual surto em algum clube poderia causar um prejuízo  muito grande, já que a COVID-19 pode provocar sequelas respiratórias, neurológicas entre outras, comprometendo a saúde do atleta.

“Esse retorno é impensável no atual estágio que estamos com a pandemia no Brasil”, completa o infectologista Francisco Leone, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

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